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Dólar cai mais de 2% e fecha a R$ 3,15 em dia de julgamento de recurso de Lula

24 JAN 2018Por: G117h00
Homem conta notas de dólar em casa de câmbioHomem conta notas de dólar em casa de câmbio / Foto: Reuters

O dólar fechou em forte queda nesta quarta-feira (24), logo após dois dos três desembargadores do TRF-4 terem mantido a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância. O resultado final pode influenciar a corrida eleitoral deste ano. A sessão fechou antes do fim do julgamento, que condenou Lula por unanimidade.

A moeda norte-americana caiu 2,44%, cotada a R$ 3,1590 na venda. Veja a cotação do dólar hoje. É a menor cotação desde o dia 13 de outubro, quando a moeda foi cotada a R$ 3,1491.

Foi a maior queda de fechamento desde o recuo de 3,89% em 19 de maio, um dia depois do salto de mais de 8% da moeda norte-americana por conta das denúncias de executivos do grupo J&F contra o presidente Michel Temer.

No mercado de ações, a bolsa também reage às expectativas em torno do julgamento, com o Ibovespa com alta acima de 3% nesta quarta.

Leitura dos economistas
Especialistas entendem que os mercados financeiros já precificaram uma derrota de Lula agora, e o suficiente para o tornar inelegível. O mercado financeiro vê o ex-presidente com um candidato que seria menos comprometido com medidas de ajuste fiscal.

"O aspecto principal que o mercado observa é a necessidade que o presidente que for eleito dê continuidade às reformas de ajuste fiscal, e a da Previdência é a principal delas neste momento", diz o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech. Ele aponta que não há expectativa que essa reforma seja votada ainda neste ano, o que adia a discussão para 2019 e aumenta o foco dos investidores sobre a disputa eleitoral.

Para o economista sócio da Go Associados, Gesner de Oliveira, com a condenação unânime, aumenta o otimismo do mercado, mas um resultado de 2 votos contra 1 não mudaria muito o cenário. "É a diferença entre tomar uma goleada ou perder de 1 a zero", compara.

Segundo Oliveira, a leitura do mercado é de que a decisão enfraquece a candidatura de Lula, a mais competitiva no cenário eleitoral, e isso aumenta as chances de eleição de um candidato pró-reformas.

Para a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, a reação dos mercados decorre da perspectiva de que, inelegível, Lula não participaria do pleito deste ano, ampliando as chances de um candidato de centro, mais alinhado a uma agenda de reformas.

"Ativos brasileiros tendem a se valorizar (câmbio, bolsa, etc), com consequências positivas para a inflação (redução) e para os juros. Para a reforma da previdência, não vejo alterações significativas", diz Zara.

"Esse segundo voto acelerou tanto a bolsa para cima quanto o dólar para baixo, mas o fato é que a gente tem que esperar o terceiro", disse o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech.

Na véspera, a moeda dos EUA avançou 0,9%, a R$ 3,2381 na venda, maior alta desde 12 de dezembro, quando subiu 0,93%. No primeiro mês do ano, o dólar ainda acumula queda de 2,3%.

Julgamento de Lula
Teve início nesta manhã o julgamento do recurso do ex-presidente contra a condenação a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso envolvendo um apartamento tríplex no Guarujá, litoral de São Paulo.

Lula, que já anunciou a intenção de ser novamente candidato à Presidência da República em outubro e lidera pesquisas de intenção de voto, pode ficar inelegível se tiver a condenação confirmada. Há diversos recursos jurídicos que o petista pode adotar se o seu recurso foi rejeitado agora.

Especialistas entendem que os mercados financeiros já precificaram uma derrota de Lula agora, e o suficiente para o tornar inelegível. O mercado financeiro vê o ex-presidente com um candidato que seria menos comprometido com medidas de ajuste fiscal.

O que os economistas apontam é que, caso a decisão do julgamento desta quarta defina algo que dê ao ex-presidente leque maior de recursos jurídicos ou mesmo o absolva, a tendência é que haja algum ajuste de preços - ou seja, uma alta do dólar em relação ao real. No entanto, o cenário externo favorável deve reduzir a intensidade desses movimentos.

Os investidores devem ficar de olho, portanto, no placar da votação, que contará com as decisões de 3 juízes.

"Os atuais patamares da bolsa e dólar revelam que o mercado enxerga a condenação do ex-presidente Lula com o placar de 3x0. Se não fosse assim, os preços atuais seriam outros", explicou em nota Pedro Paulo Silveira, Economista-Chefe da Nova Futura Corretora.

"O mercado entende que uma condenação em segunda instância que não seja por unanimidade pode dar força para a candidatura do ex-presidente Lula", ressalta Fernando Bergallo, Diretor de Câmbio da FB Capital.

Já na hipótese de o recurso de Lula ser negado, os economistas afirmam que o dólar permaneceria no patamar atual.

Até a decisão final, no entanto, a defesa de Lula tem vários recursos para adiar o processo e tentar evitar que, no dia dos registros das candidaturas, em 15 de agosto, ele possa ser considerado inelegível.

"Seja qual for o resultado, especialistas apontam que a situação não será resolvida hoje e as incertezas podem se arrastar por meses", apontou a Rico Investimentos em relatório.

'Vida normal'
Em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, o presidente Michel Temer minimizou os efeitos das expectativas de investidores sobre o julgamento nos mercados financeiros.

Questionado se uma eventual condenação de Lula poderia resultar em “mercado turbulento”, Temer afirmou que não espera instabilidade. "Não acredito, não, é vida normal", disse.

Tendência de baixa
A moeda norte-americana já estava em tendência de baixa, com a pressão de venda nas últimas semanas diante da visão de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, não é mais o único quando se trata de política monetária mais apertada (ou seja alta de juros), uma vez que o crescimento em outras regiões, na Europa em particular, acelera.

A moeda norte-americana também exibia queda ante divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

* Com Reuters e Valor Econômico

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